Depressão
e Transtorno Maníaco-Depressivo
Todos
nós passamos por diversas alterações do nosso estado
de ânimo, do momento em que acordamos até a hora de irmos
dormir, dependendo dos acontecimentos que vão ocorrendo em casa,
no trabalho, na rua, das pessoas que encontramos, das notícias
que recebemos e assim por diante.
Podemos nos irritar, ficamos alegres ou chateados, isso é comum
a todo mundo.
O humor é variável e modifica-se diversas vezes durante
o dia em todas as pessoas.
Se tivermos muitos momentos estressantes e desgastantes num único
dia é natural que, quando esse dia chegue ao fim, estejamos sem
energia, cansados e tristes.
Não devemos, contudo, confundir tristeza com depressão.
A tristeza é um sentimento que pode aparecer por algum motivo
qualquer e depois de algum tempo ela passa.
Porém, existem distúrbios que são muito mais intensos
e que alteram de forma persistente o estado de humor, sem que a pessoa
consiga compreender nem controlar essa alteração, são
os chamados Transtornos de Humor.
A
Depressão e o Transtorno Bipolar ou Maníaco-Depressivo
são as principais manifestações dos Transtornos
de Humor.
O
que acontece nesses transtornos é uma perturbação
no estado emocional interno da pessoa que pode tornar-se continuamente
depressiva, ou então, intercalar momentos de depressão
profunda com momentos de euforia.
Em ambos os casos o sujeito vivencia, além da sensação
de falta de controle pelo seu humor, a queda na sua capacidade de realizar
atividades, prejuízo das suas funções cognitivas
como raciocínio e concentração e um intenso sofrimento
psíquico que comprometem negativamente o andamento de sua vida
pessoal, profissional e social.
Depressão
e Distimia
A
depressão é, muitas vezes, confundida com os momentos
de baixo-astral que sentimos um dia ou outro, quando estamos mal-humorados
ou abatidos, mas depressão é muito mais do que isso.
Depressão é uma doença caracterizada por um estado
freqüente e prolongado de sintomas de desconforto psicológico
e físico, sentimentos de tristeza intensa, desânimo e desesperança
que tomam conta da vida da pessoa quase todos os dias, por semanas ou
meses seguidos, prejudicando seu trabalho, suas relações
sociais, sua saúde e fazendo com que ela perca o gosto pela vida.
Um quadro de depressão clínica é verificado quando
os sintomas atingem a pessoa por inteiro, ou seja, quando afeta seus
sentimentos, pensamentos, alteram seus comportamentos e suas relações
sociais, além do seu corpo.
Pode aparecer sem um motivo aparente, ou então, a partir de um
evento desencadeante como a perda de um ente querido ou do emprego,
stress, problemas financeiros, uma separação conjugal
ou outras grandes e súbitas mudanças de vida.
O desenvolvimento dos sintomas depressivos costuma aparecer gradualmente
e vai se intensificando com o passar do tempo, intercalado com períodos
de melhoria do humor.
Muitas pessoas que sofrem desse mal convivem por tanto tempo com esses
sintomas que acabam acreditando que eles fazem parte de sua personalidade,
ou mesmo, que se trata apenas de uma crise passageira, para qual, possuem
uma explicação aparentemente convincente que justifique
aquele momento difícil que estão vivendo. Pensam que com
o passar do tempo tudo se resolverá por si só, não
necessitando buscar auxílio médico. Não sabem elas
que agindo assim estão contribuindo para o agravamento da doença.
Quanto mais cedo iniciar o tratamento, melhores serão os resultados
obtidos.
A depressão é uma doença bastante comum no mundo
todo e pode afetar crianças, adolescentes, adultos e idosos,
de qualquer sexo, raça ou classe econômica.
Seus sintomas são bastante variados na forma e intensidade em
que são sentidos e não ocorrem, necessariamente, todos
juntos em uma única pessoa. Os principais são:
-
Perda do interesse pelas atividades que anteriormente gostava e pelas
tarefas que realizava.
- Falta de energia e cansaço freqüentes.
- Incapacidade de ver o lado bom das coisas.
- Humor deprimido, pessimismo e queixas constantes.
- Dificuldade para se concentrar, tomar decisões e para cumprir
suas tarefas e compromissos.
- A agilidade mental e física torna-se mais lenta.
- Queda no desempenho acadêmico ou profissional.
- Sentimentos de constante desconforto, desesperança e tristeza
excessiva.
- Alterações do apetite e do sono.
- Baixa auto-estima.
- Isolamento social (vontade de ficar em casa, desinteresse em encontrar,
sair ou conversar com os amigos ou com a família).
- Angústia.
- Sentimento forte de culpa, fraqueza ou incapacidade.
- Auto-reprovações, auto-acusações, vergonha
e pena de si mesmo e de sua situação.
- Sofrimento e idéias suicidas.
- Desinteresse sexual.
- Irritabilidade, ansiedade, inquietação interna, mal-estar,
sensação de que nada e nenhum lugar é bom.
- Choro freqüente ou incapacidade de chorar.
- Apatia (sensação de falta de sentimentos), passividade
ou, ao contrário, agitação constante, exagerada
e agressividade.
- Dores físicas.
- Ausência de prazer em qualquer atividade.
- Dificuldades de memória e raciocínio.
- Sentimento de inutilidade.
- Sensação de vazio.
- Sentimento de ausência de significado na vida.
- Inibição
Para que seja diagnosticada a depressão é importante realizar
uma criteriosa análise médica que exclua a possibilidade
destes sintomas serem resultado de alguma outra enfermidade física
que também pode desencadear algum destes sintomas como as alterações
da tireóide, mau funcionamento do intestino, desnutrição,
câncer, problemas neurológicos, diabetes, distúrbios
hormonais, entre outros.
Assim que comprovado o diagnóstico de doença depressiva,
avalia-se em que grau se encontra e a forma como os sintomas se apresentam,
ou seja, se é de uma depressão leve, moderada ou grave.
Em seguida inicia-se o tratamento recomendado para cada caso em especial.
A
distimia é um tipo de depressão que se caracteriza
por ser leve e prolongada. Embora esteja presente a maioria dos sintomas
depressivos comuns à depressão moderada e grave, eles
são sentidos de forma menos intensa.
Na distimia, os sintomas depressivos incomodam o paciente, mas não
o impede de exercer suas atividades, apenas faz com que ele tenha que
despender um esforço muito maior que as outras pessoas para realizá-las.
As pessoas que sofrem com a distimia estão sempre queixosas e
“pra baixo”. Sentem-se, freqüentemente, mal-humoradas
e nada parece ser bom o suficiente para elas.
Com o passar do tempo passam a acreditar que são assim mesmo
e que esse mal-humor faz parte de sua personalidade, o que não
é verdade.
A distimia pode ser tratada e curada com um bom tratamento psicológico
e, se necessário, com utilização medicamentos.
A falta desse tratamento pode intensificar a doença e torná-la
moderada, ou seja, com mais sintomas depressivos que passam a interferir
mais freqüentemente na vida da pessoa, ou mesmo, se agravar a ponto
de se tornar uma depressão grave ou Depressão Maior que
se caracteriza pela manifestação de muitos sintomas debilitantes
e inibitórios ao mesmo tempo, tornando praticamente impossível
o cumprimento de suas atividades rotineiras.
Doença
Maníaco–Depressiva ou Transtorno de Humor Bipolar
O Transtorno de Humor Bipolar ou Maníaco-Depressivo é
caracterizado por oscilações extremas e bruscas do humor.
A pessoa intercala momentos da mais profunda tristeza depressiva com
momentos de agitação intensa, alegria e excitação.
Estes momentos de humor exaltado são chamados de mania.
Entre as crises maníaco-depressivas o paciente passa por períodos
de normalidade.
O Transtorno Bipolar tem como características:
Na
fase depressiva:
-Sintomas de depressão já anteriormente citados
Na
fase de mania:
-
Irritabilidade
- Euforia
- Hiperatividade
- Agitação motora e do pensamento
- Uso demasiado da fala
- Falta de sono
- Desorganização
- Baixa tolerância à frustração
- Vontade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo
- Não conseguir manter-se parado
- Fuga de idéias
- Idéias de grandeza quanto suas próprias capacidades
(auto-estima elevada)
- Realização de atividades que causem prazer imediato,
mas que possam trazer danos (abuso de álcool, drogas, sexo, jogos,
etc).
- Pode haver delírios e agressividade.
Os Transtornos de Humor podem ocorrer em qualquer fase da vida: na infância,
adolescência e na fase adulta e se não forem devidamente
tratados podem durar a vida toda.
Estes transtornos causam muito sofrimento para o doente porque ele sente
que não é mais o que era anteriormente, que houve uma
mudança onde algo se perdeu e culpa-se por isso. Acha que agora
é menos do que era, menos capaz, menos inteligente, menos confiante.
A visão que tem do mundo e de si mesmo está distorcida,
fragmentada e é sempre bastante pessimista e radical. Não
consegue visualizar mudanças positivas em sua vida porque acredita
que tudo é irreversível e imutável.
É por isso que os conselhos e estímulos vindos de amigos
e parentes que pedem que ele se esforce e se anime, pouco afetam o depressivo
e, muitas vezes até pioram a doença. Ele simplesmente
não consegue reagir a tudo que, para os outros, é bom
e agradável, não consegue apenas com um esforço
reverter seu estado emocional de angústia e vazio.
O que ele sente é tão desconhecido para ele como é
incompreendido por quem está de fora e é isso que gera
sua inibição e isolamento.
Suas auto-acusações de incapacidade e indignidade, embora
não reflitam a realidade, descrevem exatamente o conteúdo
das suas impressões internas, é assim, da forma como se
descreve, que ele enxerga a si mesmo. Ressalta e exagera a proporção
de defeitos e ignora suas qualidades.
Não consegue se ater ao mundo exterior porque suas forças
estão totalmente voltadas para seus conflitos internos.
Todas essas características ajudam a entender que depressão
é um problema grave de saúde e deve ser tratada com a
devida seriedade.
O primeiro passo, então, é procurar ajuda de um bom profissional
que prescreverá um tratamento adequado.
Se o tratamento for iniciado no princípio da doença impede
que ela se torne crônica.
Os
principais tratamentos utilizados nos casos de depressão combinam
psicoterapia e medicamentos antidepressivos.
O
tratamento vai trazer resultados e melhora em todos os aspectos como
a redução do sofrimento e alívio dos sintomas até
que eles desapareçam e a vida volte ao normal.
Haverá, em seguida um trabalho de prevenção que
impede a volta da doença mais para frente, mas, para isso, é
preciso manter os cuidados terapêuticos firmemente até
o fim.
Os resultados são graduais e começam a aparecer após
umas três semanas, aproximadamente, do inicio do tratamento, variando
de pessoa para pessoa, o fato é que os benefícios podem
realmente ajudá-lo a ter uma vida melhor.
A
depressão tem cura! Procure auxílio de um profissional!