Transtornos de Ansiedade
A ansiedade é um mecanismo de defesa do nosso corpo e faz parte do funcionamento normal da fisiologia dos homens e dos animais. Tem um importante valor de sobrevivência e adaptação, pois sua finalidade é alertar o organismo a respeito de algum perigo para que ele tenha tempo de lidar com a situação que o ameaça lutando ou fugindo e, uma vez que a situação desaparece, desaparecem também os sintomas físicos e psíquicos a ela relacionados.
Estas situações de estresse podem ser um grande susto, alguma agressão ou ameaça a integridade física, uma situação nova na vida do indivíduo, entre outras que enfrentamos no nosso cotidiano.
O transtorno de ansiedade, ao contrário, é um problema psicológico que perturba o sujeito a ponto de atrapalhar sua vida e do qual ele não consegue se livrar por conta própria. Quando as sensações incômodas de tensão, apreensão e inquietação surgem sem motivo aparente ou permanecem após ter desaparecido um possível evento desencadeante dessa ansiedade, fazendo com que o sujeito sinta-se continuamente desconfortável e com sintomas físicos e psíquicos de alerta é sinal de que a ansiedade está tomando proporções acima das aceitáveis.
Em excesso a ansiedade causa uma série de desarmonias no sistema nervoso autônomo que podem ser sentidos de diversas formas. Os principais sintomas são:

-Ataques repetidos de medo
-Irritabilidade
-Nervosismo
-Incapacidade de permanecer parado (necessidade constante em se movimentar, roer as unhas, puxar os cabelos, mexer o tempo todo nos objetos ao redor, fumar, comer ou beber demais, etc)
-Falta de capacidade de concentração
-Problemas de memória
-Sentimento de confusão mental
-Tensão muscular
-Preocupações e expectativas excessivas
-Sudorese
-Palpitações
-Dores de cabeça
-Voz hesitante
-Sensação de “nó no estômago” ou de “aperto no peito”.
-Tremores
-Falta de ar
-Secura na boca
-Cólicas
-Problemas gastrintestinais (vômitos, diarréias, urgência urinária, náuseas).
-Tonturas
-Mal-estar generalizado
-Sensação de insegurança e receio constante
-Impaciência
-Dúvidas excessivas
-Cansaço
-Dificuldade para dormir ou para manter o sono
-Angústia, entre outros.

O diagnóstico de um transtorno de ansiedade só é possível através de uma análise do estado geral do paciente, onde se constatam seus sintomas físicos e psicológicos, seus comportamentos e sua capacidade de desempenho prático nas suas diversas atividades e relacionamentos.
Na maior parte das vezes, esse transtorno está relacionado à permanência do sujeito em ambientes ou situações geradoras de estresse, tensão ou pressão contínuos ou, então, a períodos de preocupação causados por algum problema em alguma área de sua vida: profissional, afetiva, familiar, financeira, etc.

A forma como são manifestados os sintomas podem se diferenciar bastante e definem os diversos tipos de Transtornos de Ansiedade. São eles:

- Transtorno do Pânico
- Fobias
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
- Transtorno de Estresse Pós-Traumático
- Ansiedade Generalizada

Transtorno do Pânico

O Transtorno do Pânico caracteriza-se por crises ou episódios espontâneos de ansiedade aguda que ocorrem subitamente e sem que haja, necessariamente, um motivo concreto ou visível.
O indivíduo sente que irá se defrontar com alguma situação extremamente ameaçadora, terrível e incontrolável. A partir daí, todas as suas defesas autonômicas são acionadas e ele passa a sentir que pode morrer, desmaiar ou perder o controle de si mesmo a qualquer instante.
Uma crise pode durar minutos e geralmente não ultrapassa uma hora, porém a pessoa é tomada por um sentimento de terror que causa extremo sofrimento interno.
O primeiro ataque ocorre, geralmente, de maneira espontânea, mas também pode ser provocado por trauma, pela ingestão de algumas drogas estimulantes como cafeína ou cocaína, ingestão de drogas depressoras como o álcool, após atividades físicas exageradas ou em algumas condições ambientais específicas e/ou atípicas. Em muitos casos o paciente passou por momentos estressantes um pouco antes do aparecimento da crise.
Geralmente após os primeiros ataques começa a se manifestar à chamada ansiedade antecipatória (“o medo do medo”, medo de um novo ataque) e, com isso, a pessoa começa a evitar situações que possam causar novas crises.
Esta ansiedade antecipatória é, na maioria das vezes, mantida em segredo pela pessoa.
Com isso, ela pode começar a se privar de sair de casa, de trabalhar ou de ter uma vida social saudável.
Gradativamente, os ataques podem se tornar incapacitantes para aqueles que sofrem do transtorno de pânico, fazendo com que estas pessoas se isolem e tornem-se deprimidas e incompreendidas por aqueles que as rodeiam, pois estes não entendem os novos comportamentos da pessoa doente.
O transtorno do pânico é um grave problema de saúde e deve ser tratado assim que surgirem os primeiros sintomas.

Os principais sintomas do Transtorno de Pânico são:

-Tensão Motora (tremores, rigidez muscular, inquietações, dores no corpo).
-Desconforto intenso
-Sensação de terror
-Distúrbios Autonômicos (taquicardia, vômitos, alterações gastrintestinais, desconforto abdominal, sensação de “aperto no peito”, palpitações).
-Irritabilidade
-ondas de calor e de frio
-Insônia
-problemas de concentração e memória
-boca seca
-tonturas
-confusão mental
-sensação de falta de controle, de morte ou de estar enlouquecendo.
-sensação de desmaio ou de asfixia
-sudorese
-pernas bambas
-dor no peito
-comportamentos de fuga ou evitação.
-medo extremo
-dificuldades para falar e para pensar
-depressão
-alterações respiratórias, principalmente a falta de ar.
-rubor facial

Um ataque de pânico começa de forma inesperada, ou então, pode ser desencadeada por algumas situações específicas como, por exemplo, após ou durante uma exposição pública do indivíduo.
A intensidade do ataque vai aumentando e seu pico é, aproximadamente, após 10 minutos do início da crise. Após esse período a intensidade vai diminuindo. Geralmente dura de 20 a 30 minutos, mas pode chegar a durar até uma hora.
A pessoa busca sair o mais rápido possível da situação para procurar ajuda.
Os sintomas podem desaparecer rapidamente ou aos poucos, mas a preocupação e o medo da ocorrência de um novo ataque permanece e tende a piorar, pois a maioria dos pacientes recusa-se a admitir que têm um problema psicológico mesmo tornando-se cada vez mais inseguros com o aumento da freqüência dos ataques.
Para “resolver” seu problema eles começam a evitar locais ou situações que possam estar associados aos momentos de crise. Esse comportamento é altamente incapacitante com o passar do tempo e é chamado de Transtorno do Pânico com Agorafobia.
Os comportamentos de evitação começam a atrapalhar sua vida social e profissional porque elas simplesmente param de realizar atividades costumeiras para evitarem o aparecimento de uma nova crise de pânico e também desistem de enfrentar situações onde pode ser difícil sair, caso haja outro ataque, além de desenvolver uma série de medos irracionais. Assim, não querem mais saber de estarem sozinhos em locais fechados com elevadores, túneis, ônibus e metrô, desistem de dirigir carro ou de andar em aviões, não querem mais freqüentar lugares cheios de gente como shows, ruas, supermercados e shoppings, não falam mais em público e assim por diante.
É comum, também, que necessitem estar sempre acompanhados de alguém de sua confiança.
Quando o problema se torna grave é possível que o paciente se recuse até mesmo a sair de casa e a ter contato com outras pessoas e isso pode deixá-lo profundamente isolado e deprimido.
Tantas mudanças em seus comportamentos fazem com que o próprio paciente pense que esteja enlouquecendo.
O maior número de casos desse transtorno ocorre entre pessoas de 20 a 45 anos de idade. Pessoas que estão em pleno exercício de suas atividades profissionais.
Usualmente, as pessoas que sofrem como Transtorno do Pânico são altamente produtivas e perfeccionistas consigo mesmas e com os outros, não admitem falhas e se cobram muito por tudo o que fazem, podem estar sobrecarregadas com inúmeras atividades ao mesmo tempo. Podem ser bastante orgulhosas de sua competência e necessitarem sempre da aprovação e reconhecimento dos outros.
Outras características podem ser o excesso de preocupação e de estresse com tudo e com todos e a tentativa de controlar as pessoas e as situações a sua volta.
Quem começa a desenvolver o transtorno do pânico geralmente passa por uma infinidade de médicos e hospitais na tentativa de entender o que estão passando. Gastam muito dinheiro e tempo atrás de um diagnóstico que nem sempre é feito eficazmente.
Na maior parte das vezes, os pacientes acreditam estar sofrendo com algum problema cardíaco porque os sintomas sentidos durante a crise assemelham-se a um ataque do coração. Porém, como não se trata de uma doença orgânica é comum a estes pacientes ouvirem de seus médicos que eles não tem nada, pois nada foi encontrado em seus exames clínicos e laboratoriais.
No máximo podem escutar que estão estressados e precisam apenas de descanso, porém isso não vai curá-los de seus ataques.
Isso porque o Transtorno do Pânico é um problema emocional grave e deve ser tratada por um psicólogo ou um psiquiatra.
Estes profissionais irão realizar o diagnóstico da doença e iniciar imediatamente o tratamento apropriado a cada caso.
Hoje em dia existe uma variedade de tratamentos utilizados para os casos de Transtorno do Pânico que trazem a cura completa da doença. O mais eficaz é a utilização de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos e psicoterapia.

Fobias

A palavra fobia originou-se da palavra Phobos que é o nome da deusa grega do medo e do pânico.
O medo é um sentimento normal a todo mundo quando que se depara com alguma possível ameaça física ou psicológica e serve para nos proteger.
Sabemos que algo concreto pode nos fazer mal e por isso o tememos. Desta forma, temos condições de nos defendermos dessa ameaça.
Diferentemente do medo normal, a fobia é o medo exagerado e doentio porque é um medo irracional e absurdo que faz o indivíduo fugir ou evitar as situações ou os objetos temidos mesmo sabendo que seu medo é infundado.
É infundado e sem cabimento porque para as outras pessoas não oferece nenhum tipo de perigo.
A sensação de medo, no caso das fobias, é desproporcional ao evento desencadeante e caracteriza-se pelo surgimento de ansiedade intensa quando o indivíduo é exposto ao objeto ou a situação fóbica. Ocorrem alterações comportamentais, psicológicas e somáticas e ele não consegue por sua própria vontade se livrar desses sintomas.

Os sintomas fóbicos mais comuns são:

-ansiedade intensa
-pânico
-taquicardia
-vertigens
-sudorese
-náuseas
-problemas gastrintestinais
-tremores e palpitações
-rubor (vermelhidão na face)
-perda de consciência
-comportamentos de fuga
-mal-estar generalizado

O surgimento da fobia pode aparecer em qualquer idade desde a infância até o final da vida.
É um transtorno que varia de intensidade e de objeto de pessoa para pessoa e pode ou não interferir negativamente na vida de alguém.
A maioria das pessoas que têm algum tipo de fobia consegue levar uma vida normal, desde que não tenham que entrar em contato com o objeto temido.
Somente quando o objeto ou situação fóbica é comentado, imaginado ou se está presente que surgem os sintomas de aversão e angústia exacerbados. Se não há este contato o indivíduo sente-se bem e isso não atrapalha sua vida.
Como, por exemplo, alguém que tenha fobia de cobras (ofidiofobia) e viva em um grande centro urbano. Essa pessoa não terá muita influência da fobia em sua vida porque é bastante improvável o contato com o objeto fóbico.
Porém, existem certos tipos de fobia que além de interferir na vida da pessoa pode se tornar algo totalmente incapacitante para elas. Por exemplo, alguém que tenha como requisito profissional o contato com o público e desenvolva uma fobia social. Neste caso, o aparecimento da fobia pode atrapalhá-lo a ponto de perder o emprego e cercear sua vida social.

Para a melhor compreensão das fobias podemos dividi-las, didaticamente, em três tipos: As fobias específicas, Fobia Social e Agorafobia.

Fobias Específicas

Os sintomas de medo irracional e desproporcional ocorrem sempre na presença ou lembrança de um objeto ou situação particular.
As fobias específicas são muitas, umas mais comuns e outras bastante raras.
Medo de altura, de animais como baratas, cachorros, abelhas, medo de dentista, de injeção, de escuridão, de trovão são algumas delas.
A exposição ao estímulo fóbico pode desencadear um ataque de pânico.

Agorafobia

Agorafobia é o transtorno de ansiedade onde a pessoa sente pavor de estar em ambientes fechados ou muito amplos onde seja difícil escapar ou serem socorridas caso sintam-se mal.
Elevadores, cinemas, shoppings, shows, congestionamentos, multidões, estar em ônibus, aviões, metrô, túneis ou mesmo ficarem sozinhas em casa são fontes de sofrimento e medo intensos e que podem ser generalizados para outras situações comprometendo gravemente a vida da pessoa.

Fobia Social

A Fobia Social é um transtorno de ansiedade muito comum hoje em dia, onde o indivíduo teme ser alvo da atenção das pessoas. Tem pavor de sofrer algum tipo de humilhação, fazer algo que seja considerado ridículo ou embaraçoso como gaguejar, ter um “branco” ou falar alguma besteira.
São indivíduos que se preocupam demais com a opinião e as reações das pessoas sobre ela e a seus comportamentos.
Todas as pessoas sentem um certo grau de ansiedade quando vão se expor publicamente, como quando terão que apresentar uma palestra ou uma peça de teatro, por exemplo. É comum ficar um pouco apreensivo. Porém, quem tem fobia social sente pavor só de imaginar ter que passar por uma dessas situações.
O maior medo relatado é o de se apresentar em público, mas também existem muitos outros comportamentos e situações que geram mal-estar como:
-trabalhar, escrever ou falar na frente de outras pessoas.
-usar banheiros públicos
-falar com pessoas estranhas
-comer em restaurantes
-ser observado por alguém
-ser repreendido publicamente, etc.

Embora cada caso seja único e tenha sua intensidade e características próprias, é bastante comum a quem sofre de fobia social ter medo de qualquer situação onde haja interação social. Se tiver que participar de algum compromisso social sofre por antecipação.
O seu nível de ansiedade é tão intenso que elas passam a evitar situações de contato com outras pessoas e isso pode trazer uma série de prejuízos na sua vida.
Se ela não consegue se esquivar da situação, passa a desenvolver sintomas como tremores, gagueira, náuseas, palidez ou rubor, ânsia de vômito que lhe dão sensações de mal-estar insuportáveis.

Diagnóstico e Tratamento

As fobias são sentidas através da persistência de estados de ansiedade, repugnância, angústia e hostilidade a algum estímulo ou a vários deles. A pessoa sabe conscientemente que seu medo ou aversão é absurdo, mas não consegue controlar suas emoções voluntariamente. Sofre com isso passando a evitar contato ou fugindo de situações ou objetos que lhe tragam aflição e, desta forma, priva-se de coisas importantes em sua vida o que lhe causa, ainda, uma sensação amarga de culpa por não ter conseguido enfrentar o problema.
Se tudo isso está acontecendo é sinal de que ela está sofrendo com algum tipo de fobia e deve buscar imediatamente ajuda de algum profissional especializado como um psicólogo ou psiquiatra.
O profissional irá diagnosticar o tipo de fobia e a intensidade em que está a doença e iniciar o tratamento adequado.
Quando não tratada essa doença pode ir se agravando se tornar crônica.
O indivíduo passa a abrir mão de mais e mais circunstâncias rotineiras e de oportunidades em sua vida, pode se isolar completamente, fazer uso de álcool ou abusar de outras drogas, render menos no trabalho ou na escola, perder vínculos afetivos importantes, perder o emprego, desenvolver um quadro depressivo e até mesmo tentar se suicidar.
A Fobia é uma doença que quando tratada pode trazer excelentes resultados. O sucesso no tratamento vai depender do tipo de fobia, do tempo da doença, do comprometimento do paciente e da intervenção do terapeuta, mas o primeiro passo é reconhecer a doença e procurar ajuda médica.
O tratamento é realizado através de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos, técnicas de relaxamento e psicoterapia.

 

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC)

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um distúrbio mental caracterizado pela presença inoportuna e repetitiva de pensamentos e rituais desagradáveis e sem sentido que invadem a mente e o comportamento do doente e os quais ele não consegue evitar por conta própria.
O quadro de TOC inclui as obsessões e as compulsões:
Por obsessões entendem-se todas as formas invasivas de pensamentos, idéias, frases, imagens mentais, preocupações e impulsos que o sujeito não consegue controlar nem tirar de sua consciência pela sua vontade ou esforço.
Por compulsões entendem-se todos os comportamentos que escravizam o sujeito e o fazem despender tempo e empenho em ações repetitivas e estereotipadas que objetivam prevenir que algum evento ameaçador aconteça.

No TOC o indivíduo sofre enormemente tentando resistir a estes impulsos e idéias porque reconhece que estes são produtos de sua própria imaginação e não fazem sentido, mas por mais que tente, não obtém sucesso em brecá-los ou tirá-los de sua cabeça. Pode até conseguir um certo alívio, porém esta trégua mostra-se passageira e logo cede espaço para o retorno das mesmas obsessões.
A ansiedade produzida nesse esforço para tentar calar sua mente faz com que o doente realize, intencionalmente, rituais ou compulsões que, por repetição exaustiva, produzam a idéia de afastar os perigos temidos, de proteger a si próprio ou outras pessoas. Nem sempre há uma lógica entre o ato realizado e evento a ser repelido.
Por exemplo: uma mulher com pensamentos obsessivos acredita que pode ter sido contaminada por ter tocado algum objeto “sujo” que pode ser uma chave ou qualquer outro objeto e passa a lavar suas mãos durante todo o dia até que elas se firam e, por estar empenhada nessa tarefa, deixa de ir trabalhar.
O TOC pode se agravar a ponto de interferir no andamento normal da vida do sujeito, pois ele pode passar tanto tempo obrigando-se a realizar seus rituais que se afasta de seus compromissos e de seus contatos sociais, de seu trabalho, escola, família, etc. Torna-se, assim, prisioneiro de suas obsessões e compulsões.
Existem muitas formas como estes pensamentos aparecem em quem desenvolve a doença.
As obsessões e compulsões mais comuns são:
- Obsessão de contaminação ou sujeira: caracterizado por medo excessivo de se sujar ou de ser contaminado por germes, bactérias, fungos, etc. Para prevenir essa ”possível” contaminação, o sujeito passa a desenvolver estranhos e exagerados rituais de limpeza como, por exemplo, a esquiva, mantida a todo custo de ter algum tipo de contato com determinados objetos, resíduos ou substâncias. Podem utilizar litros de sabões e detergentes para desinfetar sua casa, tomar banhos durante todo o dia, lavar as mãos milhares de vezes seguidas, etc.

- Obsessão e Rituais de verificação: Os pensamentos recorrentes e insistentes são as dúvidas que afligem o sujeito se fizeram ou não determinados procedimentos de proteção ou de prevenção como checar se trancou a porta ou as janelas de sua casa por dezenas ou até centenas de vezes seguidas, podem verificar também objetos como o funcionamento de relógios, aparelhos eletrônicos, se desligaram as chamas do fogão, se fecharam as torneiras, etc.

- Obsessões e rituais de desafio: Pensamentos de dúvida quanto sua capacidade ou não de realizar alguma atividade como montar quebra-cabeças, fazer contas ou palavras cruzadas, etc.

- Obsessões e rituais de ordem: O sujeito não se contém ao perceber algum objeto fora do lugar que acha correto, mesmo que a diferença seja de centímetros. Passa muito tempo organizando estes objetos, classificando, enfileirando, etc.

Existem muitas outras formas diferentes de obsessões e de rituais que variam muito e podem ser exclusivas de cada indivíduo.
Há também casos de obsessões sem a presença de rituais, onde as idéias repetitivas tomam conta da vida da pessoa e fazem com que elas passem boa parte de seu tempo fazendo-se a mesma pergunta ou tendo as mesmas dúvidas.
Nos casos de compulsões ou rituais sem obsessões ocorrem à realização de tarefas pré-estabelecidas e em uma determinada ordem que não podem ser alteradas e onde o indivíduo realiza suas rotinas de forma extremamente metódica e estereotipada.
A maior parte das pessoas que sofrem com este tipo de transtorno sabem que têm um problema e esforçam-se para livrarem-se deles, porém não conseguem evitá-los através de sua própria força de vontade e sentem-se envergonhadas com sua situação e com seus comportamentos estranhos, por isso, mantém sua doença em segredo e não procuram ajuda médica, fazendo com que seu quadro clínico se agrave e se torne crônico.
A doença inicia-se, geralmente, na adolescência ou no início da vida adulta e atinge tanto homens como mulheres.
O TOC é um dos distúrbios mentais mais comuns no mundo todo.

CAUSAS

Assim como a maioria dos distúrbios psicológicos, o TOC parece ser causado por diversos fatores como os genéticos, neurológicos, químicos, comportamentais e ambientais. Pode acontecer espontaneamente ou depois de algum fator desencadeante ou estressante.

TRATAMENTO

O tratamento do TOC é realizado com a combinação de medicação para corrigir alterações dos neuroquímicas e psicoterapia para ajudar o paciente a enfrentar sua ansiedade, lidar com seus limites e sintomas e desencorajar respostas compulsivas.

Transtorno de estresse pós-traumático

O Transtorno de estresse pós-traumático é um transtorno de ansiedade que ocorre após a experiência de algum evento traumático na vida do indivíduo.
Por trauma entende-se um dano físico ou emocional, de alta intensidade que desencadeia diversas perturbações psíquicas em quem sofreu ou testemunhou uma situação de violência extrema.
Os eventos traumáticos são situações de grande sofrimento porque colocam em risco a integridade física ou mesmo a vida do sujeito. Podem acontecer acidentalmente ou serem provocadas por alguém como, por exemplo, os assaltos, seqüestros, agressões físicas, acidentes graves, guerra, ataques terroristas, torturas, desastres e as catástrofes naturais como as inundações, incêndios e terremotos.
Viver uma situação dessas é terrível para qualquer pessoa independentemente do sexo, idade, classe social ou quaisquer outras diferenças.

As lembranças intrusivas do acontecimento traumático acompanhado de sentimentos de impotência, vulnerabilidade, medo intenso, pânico, insônia, taquicardia, tremores, dores de cabeça, choro, insegurança, desconfiança são relatadas por quase todas as pessoas que viveram esse tipo de violência.
Freqüentemente esses sintomas são agudos e têm início imediatamente após o trauma, podendo durar algumas horas, dias ou semanas e perdendo sua intensidade com o passar do tempo. Chama-se Transtorno de Estresse Agudo e é uma resposta do organismo a intensa violência e pressão que sofreu.
Porém, existem casos onde essa resposta não acontece de imediato. Ela é postergada, ocorrendo 3, 4 ou 5 meses após o evento traumático. Existem casos em que o transtorno ocorreu após 20 ou 30 anos do trauma.

A pessoa começa a desenvolver diversos sintomas como aqueles citados acima e, ao contrário do que acontece na reação aguda ao estresse, esses sintomas não cessam, mas pioram e podem se tornar crônicos e incapacitantes se não forem tratados adequadamente.Trata-se, nesse caso, do transtorno de estresse pós-traumático.

Os cinco principais fatores que constituem o transtorno de estresse pós-traumático são:

-Exposição a algum evento traumático.
-Reviver o trauma em sonhos e pensamentos.
-Indiferença emocional para as outras experiências e relacionamentos de vida.
-Evitar ou fugir tudo aquilo que lembre o trauma.
-Sintomas de excitação e instabilidade psicológica intensos.

A pessoa que sofreu o abuso não consegue esquecê-lo mesmo se esforçando para não lembrar e vive em constante estado de aflição. Passa boa parte do seu tempo revivendo em pensamentos os maus momentos que passou, tem pesadelos e perde o interesse e o gosto pela vida.
Pode se tornar “anestesiado”, apático e indiferente a tudo que anteriormente lhe dava prazer e lhe despertava interesse ou então passa a se isolar, fica agressivo e cria estratégias para evitar ou fugir de uma possível nova ameaça.
Muitas vezes seu comportamento parece paranóico. Tornando-se uma pessoa desconfiada e insegura, atenta a tudo e a todos porque acredita que possam lhe causar algum mal e que o destino está contra ela.
Esse estado de hipervigilância deixa o indivíduo, freqüentemente tenso, sobressaltado e angustiado.
É comum também haver mudanças de humor, embotamento afetivo, isolamento social, pessimismo exagerado, hiperatividade e descontrole emocional.
Quando exposto a um evento, pessoa ou situação que possa ter alguma relação com o trauma ou mesmo ao falar a respeito do acontecido é comum o aparecimento de reações de instabilidade autonômica como palpitações, sudorese, ansiedade, alterações gastrintestinais, mal-estar generalizado, irritabilidade, perda de concentração, etc.
Geralmente acabam desenvolvendo um quadro de depressão associada ao transtorno de estresse pós-traumático.
Sentimentos de culpa, rejeição e humilhação, assim como ataques de pânico e alucinações também aparecem com freqüência.

Os sintomas sofrem variações de intensidade e podem se tornar mais agudos em momentos de estresse.
A gravidade da doença está diretamente relacionada à intensidade do trauma, ao significado subjetivo que o agente causador de estresse tem para o indivíduo e ao estado físico e emocional em que este se encontrava antes do acontecimento traumático.

Houve muitos casos desse transtorno em soldados que lutaram na segunda guerra mundial e em sobreviventes dos campos de concentração nazista.
Hoje em dia, inúmeras pessoas chegam aos consultórios de médicos e psicólogos com o transtorno de estresse pós-traumático, devido ao crescimento nos casos de violência urbana em todo o mundo.

Tratamento

O tratamento do transtorno de estresse pós-traumático baseia-se em psicoterapia, aprendizado de técnicas de relaxamento e enfrentamento, assim como, a utilização de medicamentos, se necessário.
Da mesma forma como ocorre em outros distúrbios emocionais é importante que as vítimas de experiências traumáticas busquem rapidamente auxílio psicológico para que seja mais rápida a sua recuperação e o retorno às suas atividades e à sua vida normal.

Transtorno de Ansiedade Generalizada

O transtorno de ansiedade generalizada é aquele em que a pessoa sente-se apreensiva e desconfortável acerca de tudo a maior parte de seu tempo. Dois ou mais aspectos de sua vida lhe trazem excessiva ansiedade e preocupação mobilizando sua forças e prejudicando o andamento saudável de sua vida.
Não existem motivos concretos que justifiquem esse estado patológico de ansiedade que se estende a qualquer situação.
A pessoa julga erroneamente seu ambiente e suas emoções a respeito de si mesma e do mundo são desproporcionalmente exageradas.
O transtorno atinge a pessoa de diversas formas tanto psicológicas como físicas lhe causando sofrimento intenso e comprometimento de seu desempenho profissional ou acadêmico, social, familiar e, em todos os demais aspectos de sua vida.

São sintomas desse transtorno:

- Alterações motoras: tensão muscular, tremores, dores (principalmente de cabeça e nas costas), agitação motora.
-Instabilidade autonômica: sudorese, boca seca, falta de ar, taquicardia, problemas gastrintestinais, náuseas e enjôos, calafrios, etc.
-Distorções cognitivas: dificuldades de memória, aprendizagem, raciocínio e concentração, inquietação psicológica, impaciência, irritabilidade, medo do futuro e de possíveis acontecimentos catastróficos, insônia, etc.
-Dificuldade para relaxar.
-Sustos e sobressaltos freqüentes.
-Sensação de que está preste a “explodir” de tão nervoso.
-Sensação de cansaço físico e esgotamento mental.
-Dificuldade para realizar tarefas.
-Hipersensibilidade a estímulos.
-Pode haver excesso de fome e ganho de peso ou, ao contrário, perda do apetite e emagrecimento.

O Transtorno de ansiedade generalizada é causado por uma combinação de fatores fisiológicos (como o tono simpático aumentado, alterações indesejáveis na produção de neurotransmissores, adaptação lenta dos estímulos estressantes, predisposições genéticas) e sociais (pressões sociais, ambiente estressante, falta de períodos de lazer e de descanso, excesso de atividades, etc).
O transtorno de ansiedade generalizada pode aparecer associado a um quadro de depressão e se não tratado tende a se tornar crônico.
Geralmente se apresenta como um estado permanente de tensão, porém, podem haver momentos breves de remissão dos sintomas.

Tratamento

Como na maioria dos transtornos o mais recomendado é psicoterapia juntamente com a utilização de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos se for necessário e técnicas de respiração e relaxamento.

Moema: Al. dos Guaramomis, 1027 / Vila Mariana: R. Joel Jorge de Melo, 427